terça-feira, 3 de junho de 2008

Névoas

Era noite.. e as nuvens tinham descido à terra
tinham-se juntado aos mortais naquela praia
misticamente absorviam tudo!
até a luz do régio farol...

absorviam meus pensamentos, meus gritos mudos...
absorviam sons e imagens já gastas, sem vida
a névoa reinava naquela praia, na noite fria...
trouxe consigo o arrepio, e nada mais que esquecimento...
e a névoa penetrava tudo! até os recantos da minha alma
já não via o meu passado, nem o meu futuro...
era eu apenas que ali estava, sem lembranças ou esperanças
sem nada para sentir, querer ou amar, limitei-me a ouvir, a olhar...
observei o som das ondas, o ritmo das vagas,
certas como um relógio cósmico, ressoavam em minha cabeça...

o seu som cavo ecoava em meu coração vazio...
as aguas aproximaram-se de mim, de mansinho, mansinho...
como que para me apanharem desprevenido, me agarrarem!
Fugi! fugi para a segurança da civilização selvática!
lá estava a salvo! embrenhado na solidão da névoa da multidão...

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