Preocupamo-nos muitas vezes mais com o querer parecer do que com o querer ser. Queremos parecer elegantes, sofisticados, porreiros, acessíveis mas talvez não saibamos se o queremos realmente ser. Querer ser, e especialmente ser mesmo acarreta custos que muitas vezes não desejamos pagar.
Quantas vezes tentamos parecer responsáveis quando realmente o que desejamos é um lugar ao sol, sem preocupações? Isso é responsabilidade?
Na minha óptica esta dicotomia é causadora de disrupção da personalidade. Ficamos perdidos entre duas ou mais formas de ver a vida e o mundo. É-nos incutida desde a nascença esta noção, esta necessidade de usar uma máscara, algumas vezes mais do que uma, ora em alternância ora sobrepostas. Crescemos sem saber, ou sequer de nos importarmos com quem somos.
Penso que este factor contribui de forma importante para a crise de valores de que tanto se fala.
Mesmo nos casos minoritários em que existe a percepção desta realidade, torna-se extremamente difícil contrariar a corrente imposta. São demasiados anos de programação cerebral para contrariar, agravados pela resistência da sociedade a pessoas mais verdadeiras. São premiados socialmente os que mais sucesso têm em esconder dos outros quem são. Basta reparar nas questões levantadas quando por exemplo um político é "apanhado" numa relação extra-conjugal. Em termos concretos de capacidade de governação que importa se o homem ou a mulher têm uma relação extra-conjugal? Porque é que quase forçosamente isso implica uma queda de popularidade, ou mesmo a demissão do dito político de seu cargo?
Seja por que meios for, a sociedade premeia os mentirosos, aqueles que usam máscaras, mas só no caso de serem bem sucedidos a fazê-lo.
O Ser Humano, como ser adaptável que é, adopta estas tácticas de "sobrevivência". Uns com mais outros com menos sucesso.
A meu ver este parecer é mais do que inútil... é em si próprio cancerígeno. Corrói, destrói e espalha-se por todo o tecido social, matando a identidade das pessoas.
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1 comentário:
É estranho ler algo que poderia ter sido escrito por mim (não em termos de forma, mas de conteúdo)... concordo inteiramente. Dá que pensar... que jogo é este que todos parecem dispostos a jogar? E por que razão põem de parte quem se recusa a seguir todas as regras? Será uma ameaça assim tão grande ao funcionamento do jogo?
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