terça-feira, 2 de junho de 2009
Sensação de entendimento
Não tenho olhado o céu, que me olha sempre que saio dos esconderijos levemente escurecidos, blindados por paredes que já bem conheço. Desculpo-me com o cansaço e futilidades, servem de desculpa também para não olhar a relva verdejante crescendo teimosamente sob um sol que tanto quer a quer alimentar como secar, não tenho olhado os sorrisos, uns amarelamente nervosos, outros plenos de verdade. Mas de tempos a tempos paro e escuto. Escuto os sons transportados pelo ar, como aromas distantes, viajando léguas de desconcerto por entre todas as coisas que compõem o mundo que tento compor numa sinfonia harmoniosa dentro de mim. Falho muitas vezes, sentindo em mim uma cacofonia sem sentido, alheia a tudo, imperatriz de um universo sem dó, sem perdão. Mas nem sempre. Em raros momentos tudo se encaixa com um acto de paciência e amor milenares, e eu sou um. Sou um com os sorrisos, com as estrelas, até com a relva verdejante, cagada por cães sem dono que vagueiam distraídos e julgo enganado por minha ilusão desmedida entender...
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