Vez após vez acordo para um estado de uma lucidez estranha, longe da dormência que, noutros dias, me embrulha o sentir e o pensar. Nesses momentos atentos, observador de mim mesmo e dos outros, sinto-me meu, sinto-me eu. Aceito conscientemente as limitações e elas não me incomodam, são dóceis. A alma voa num rumo mais constante, sem poços de ar e estou sereno. As esperanças tomam a forma de futuros possíveis, num cálculo de probabilidades.
Repetidamente toda essa coerência se some também, se refrata infinitamente, perdendo toda a nitidez como um raio de luz ao atravessar camada após camada de vidro grosseiro, não restando mais que um halo ténue e incerto.
O ciclo repete-se, com cada tomada de consciência subtilmente diferente com as leves variações do ponto de encaixe. Assim revolvo feito satélite em torno de um eixo incerto que é o meu lugar no mundo...
sexta-feira, 22 de maio de 2009
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