Tenho lido em vários artigos de opinião, à cerca do estado lastimável em que se encontra a consciência humana. Os autores que li, referem a tendência crescente para o ser humano, especialmente aquele que habita nos ditos países mais desenvolvidos, para se centrar em si mesmo, nos seus pequenos prazeres, fazendo os possíveis por ignorar o mundo lá fora e as injustiças que dele decorrem. Esta linha argumentativa encontra-se repetida em inúmeros textos quer de cariz metafísico, filosófico, religioso ou sociológico. Culpa-se principalmente a sociedade de consumo. Não sendo historiador, considero-me interessado no percurso humano. A meu ver, este egocentrismo não advém do consumo directamente, mas antes do conforto. É quando nos sentimos relativamente confortáveis que mais o fazemos. É justamente por isso que por mais revoluções que aconteçam o estado das coisas teima em não mudar realmente. Assim que nos sentimos "melhor" viramos a cara e já não vemos... Este facto está aliado à convicção quase dogmática, que talvez nos seja incutida desde muito cedo, para acreditarmos que quanto menos perturbarmos os sistemas vigentes, menos problemas teremos e isso não é necessáriamente verdade...
O perigo não está nas "coisas" que temos ou deixamos de ter e/ou comprar. O perigo está em acharmos que se não nos perturbarem a aparente paz e calma, tudo vai bem...
O consumismo é apenas uma tentativa vã de preencher o vazio deixado pela desconexão que sentimos enquanto espécie, e deve ser esse o alvo do nosso combate...
Os problemas de uns são também os problemas dos outros por mais que o queiramos negar... hoje sou eu... amanhã podes ser tu...
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