À primeira vista parece que existe um alto grau de egoísmo inerente ao ser humano, mas penso que é um egoísmo aparente.
Trata-se antes de uma crise de valores associada a um querer "já" e a uma incapacidade de ver mais além. Esta situação repete-se no quotidiano, na política, no mundo dos negócios, um pouco por toda a existência humana.
Se fosse egoísmo puro, as pessoas fariam o que é melhor para elas e não é isso que acontece.
A crise de valores está patente nas atitudes de desresponsabilização e de "amnésia selectiva". O ser humano tende a esquecer os seus próprios erros, e a achar-se não responsável pelo que o rodeia. Delegam cegamente as responsabilidades sempre que podem, e depois criticam as se coisas não vão no caminho que esperariam.
O querer "já" sem ver o mais além é obvio na nossa sociedade. Os apelos ao consumo, as compras exageradas a crédito são exemplos disso, mas são-no também as políticas de baixos ordenados, as loucuras com o défice, a subida do preço dos combustíveis, entre outras. Como pode uma economia seguir em frente quando a grande maioria das pessoas têm ordenados baixos? Quanto mais dinheiro as pessoas têm mais dinheiro circula, e isso é o verdadeiro motor de uma economia. Dinheiro parado nas mão de meia dúzia estagna e cheira a mofo.
Parece que há uma incapacidade relativamente generalizada de sentir empatia, de pensar "e se fosse eu?".
Sinceramente não sei se estas situações que observo são novas ou se estão presentes desde os primórdios da sociedade. Mas algumas cartas encontradas de cidadãos comuns do Antigo Egipto e posteriormente do Império Romano, indicam que têm pelo menos milénios...
Será que algum dia vamos aprender a viver uns com os outros e não uns sobre os outros ou uns contra os outros?
Este globo azul que habitamos tem tanto para nós, que necessidade há de fomes e guerras? que necessidade há de exploração de outros seres humanos? Este planeta chega para todos nós...
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