quarta-feira, 14 de maio de 2008

Insónia

Estava deitado na cama, pronto para fechar os olhos e enfrentar mais uma noite sem sonhos. Queria dormir não pelo sono ou cansaço mas pelo imperativo social e económico de picar o ponto na manhã seguinte...
Os pensamentos corriam apressados como seres anónimos em hora de ponta e o sono tardava. Lá fora o ruído de carros ao longe e o som repetitivo e mecânico de uma fábrica perturbavam um sossego que era apenas aparente...
A cama tornava-se a cada segundo, a cada ruído, a cada inspiração mais incómoda. E a quase certeza da sonolência, sacrifício diario, no dia seguinte.
Por entre o anonimato cruel de seus pensamentos surgiam memórias e desesperos. Alguns conhecidos, outros ainda por conhecer.
Apesar do cansaço causado pela sucessão interminável de noites como essa, a sua mente resistia ao sono e os pensamentos continuavam a correr...
Por fim cansado de estar cansado ergueu-se o mais silenciosamente possível da cama que sentia quente demais. Imediatamente apercebeu-se do grau elevado de seu cansaço, muito para além do que antevira. Após alguns minutos sentado na poltrona o peso da cabeça e das pálpebras era maior que o do mundo. Voltou para a cama., agora a tremer de frio, mas com a certeza que em pouco tempo sentiria de novo calor demais independentemente dos cobertores que retirasse de cima de seu corpo.
As horas passavam e os pensamentos corriam... e a manhã não esperaria pelo seu descanço. Chegaria independentemente de estar preparado para mais um dia, para mais uma luta contra o cansaço...
Os pássaros começavam a cantar e a manhã mais uma vez chegaria dominadora, sufocante, causadora de angustias dores e desesperos...

Sem comentários: