terça-feira, 26 de maio de 2009

Momentos de ócio

Sento-me inutilmente no café do costume. Hábito que não fazendo de mim monge, me incita a escrever. A juntar estes pensamentos aos outros que povoam o caderno onde anoto ideias e sensações que chamo a mim, hoje aguçadas pelo paladar de um café, flutuando no fumo de cigarros que queimam nos dedos e lábios dos que orquestram sem saber o burburinho meio melodioso meio caótico que acompanha a música alheia a todos. Sons quase longínquos de louça que tilinta estridentemente, alternando com o soar mais abafado do vil metal ao cair na caixa registradora. De onde a onde ouve-se um isqueiro hesitante, que nunca acende ao primeiro riscar da pedra, seguido por uma inalação de fumo, quase suspiro, inaudível...
Registo tudo isto, tomando conta das vozes, dos tons, cheiros sem nunca tirar os olhos do papel, do percurso sinuoso da caneta que transcreve, sem saber se sou eu que a comanda se é ela que me ordena a escrita. O tempo passa desatento a tudo isto, sem sequer olhar para os seus subalternos, seus escravos... E eu continuo a escrever, tentando em vão vence-lo, tentando congelar este momento que na verdade não significa nada...

1 comentário:

ana conda disse...

Eu, no sítio da restauração do forum, por vezes até os vejo grunhir enquanto come a mistela cor-de-rosa do MacGorduras